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Ler é viajar sem sair do lugar.

Ler é viajar sem sair do lugar.

FÁBULA é uma narração breve, de natureza simbólica, cujos personagens por via de regra são animais que pensam, agem e sentem como os seres humanos. Esta narrativa tem por objetivo transmitir uma lição de moral.

PARÁBOLAS.

PARÁBOLAS , falam de algo que o povo já conhece, para levá-lo a descobrir aquilo que ele nem imagina. Assim podem falar de realidades misteriosas como o Reino de Deus, por exemplo, como as parábolas de Jesus nos envolvem naquilo que está sendo apresentado e provocam uma iluminação por meio de uma comparação que nos faz perceber como a realidade funciona...

METÁFORA.


METÁFORA é uma figura de estilo (ou tropo linguístico), que consiste numa comparação entre dois elementos por meio de seus significados imagísticos, causando o efeito de atribuição "inesperada" ou improvável de significados de um termo a outro. Didaticamente, pode-se considerá-la como uma comparação que não usa conectivo (por exemplo, "como"), mas que apresenta de forma literal uma equivalência que é apenas figurada.

MITO é uma narrativa de caráter simbólico, relacionada a uma dada cultura. O mito procura explicar a realidade, os principais acontecimentos da vida, os fenômenos naturais, as origens do Mundo e do Homem por meio de deuses, semi-deuses e heróis. O mito só fala daquilo que realmente aconteceu do que se manifestou, sendo as suas personagens principais seres sobrenaturais, conhecidos devido aquilo que fizeram no tempo dos primordios. Os mitos revelam a sua actividade criadora e mostram a “sobrenaturalidade” ou a sacralidade das suas obras. Em suma os mitos revelam e descrevem as diversas e frequentemente dramáticas eclosões do sagrado ou sobrenatural nomundo. É está “intormição” ou eclosão do sagrado(sobrenatural), que funda, que dá origem ao mundo tal como ele é hoje. Sendo também graças à intervenção de seres sobrenaturais que o homem é o que é hoje.

Desperte para o Mundo Encantado da Leitura.


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domingo, 24 de janeiro de 2010

Sr. Raposo





O Fantástico Sr. Raposo é uma animação com bonecos, tirada de uma história para crianças. Mas é um filme feito acima de tudo para adultos – e um filme brilhante. Não será o único do gênero: Onde Vivem os Monstros e o ainda inédito Alice de Tim Burton também usam autores infantis em criações complexas


                     Isabela Boscov e Jerônimo Teixeira
             Divulgação
O QUE É DO HOMEM, O BICHO TAMBÉM COME
Raposo e Raposa, que têm a voz de George Clooney e Meryl Streep e a inteligência de seus criadores, o escritor Roald Dahl e o diretor Wes Anderson: como um espelho em que o espectador se vê da forma que realmente é


Raposo e sua mulher, Raposa, vivem em uma árvore oca no campo, próxima a três fazendas repletas, a primeira, de galinhas; a segunda, de gansos (depois defumados); e a terceira, de maçãs (que depois vão virar sidra). Todas as noites, Raposo e Raposa se servem furtivamente dessas delícias. Roubam-nas, melhor dizendo – ou seria pior dizendo, já que, sendo raposas, é de sua natureza furtar, o que tornaria o ato inimputável? Numa dessas expedições, o casal se vê acuado pelos donos legítimos dos artigos, sem chance aparente de fuga. Na tensão do momento, Raposa revela a Raposo que está grávida, e extrai dele a promessa de que nunca mais vai colocá-los em situação de perigo. Raposo terá de prover a família apenas com seu trabalho como jornalista (todos os animais, aqui, têm profissão), sem furtos. Raposo, enfim, foi domesticado. E não pelos três fazendeiros coléricos, mas por quem mais ama. Pode um animal selvagem, entretanto, ser assim desnaturado? Essa é a pergunta que Raposo faz a si mesmo várias vezes no decorrer de O Fantástico Sr. Raposo (Fantastic Mr. Fox, Estados Unidos, 2009), que estreia na próxima sexta-feira no país. A pergunta já vem, na verdade, em forma de afirmativa: não, não pode, e acima de tudo não deve – porque existe algo de fundamentalmente belo e vivo, pode-se até dizer de sublime, no que é a natureza de uma raposa (ou de um homem). Belo, vivo e quase sublime, também, é o filme que o diretor americano Wes Anderson tira do pequeno romance infantil homônimo do galês Roald Dahl (1916-1990). Um filme que, embora preserve a aparência de ser para crianças, no uso da animação em stop-motion e nas licenças imaginativas do enredo, é feito para adultos. Em especial aqueles que já tentaram negociar o dilema traiçoeiro do compromisso entre o que se é (por exemplo, um animal selvagem) e o que se precisa ser – no caso, um marido e pai responsável.
O Fantástico Sr. Fox negocia de maneira arrebatadora o seu próprio compromisso: transposta para um cenário comum com atores, a trama sobre um homem com problemas de disponibilidade emocional soaria cansada, quando não paroquiana. Encenado em tom de fábula, com bonecos e humor irresistível, e com personagens que são ultra-articulados, mas de sinceridade desarmante – esse, o elemento primordial de todos os filmes de Anderson, como Três É Demais e Os Excêntricos Tenenbaums –, o enredo atinge concentrações inesperadas de emoção. É como se, ao contar essa história à moda de um teatrinho infantil em que as vozes são proporcionadas por adultos nada simples, como George Clooney e Meryl Streep (ambos em interpretação extraordinária), o diretor arrancasse, uma a uma, todas as camadas de lugares-comuns, trivializações e equívocos que se acumularam sobre o tema, até expô-lo no seu mais cristalino e subversivo.
Anderson é, ele próprio, parecido com seus filmes – ao mesmo tempo intenso e plácido, e um tanto imprevisível. A combinação de seu estilo com a escrita de Dahl é, em si só, um libelo anticonformista. O mesmo tipo de química entre original e adaptação já se verificou em Onde Vivem os Monstros, em que o olhar excêntrico de Spike Jonze, o diretor de Quero Ser John Malkovich, discerne as profundezas do conto infantil homônimo de Maurice Sendak (o filme estreia no Brasil em 8 de janeiro). E uma reação química incoercível é o que se espera também da reunião de Tim Burton e Lewis Carroll em Alice no País das Maravilhas, que o diretor de A Fantástica Fábrica de Chocolate (aliás, tirado de outro livro de Dahl) deve lançar em abril de 2010.
Fotos Divulgação

CARNE, OSSO E PSICOLOGIA
Um menino vestido em uma fantasia de lobo vai para o quarto, de castigo, e de lá viaja até uma ilha habitada por criaturas bizarras: Onde Vivem os Monstros, a adaptação do diretor Spike Jonze para a história infantil de Maurice Sendak, combina bonecos em tamanho real com expressões faciais feitas em computação gráfica – e vem repleta de ecos freudianos


Três filmes não necessariamente compõem uma tendência. Mas, no mínimo, configuram uma convergência. Assim como os vampiros que nos dois últimos anos invadiram todas as instâncias do pop parecem ser sintoma de uma rebeldia latente, ou pelo menos simbólica, à cultura da passividade e da conformidade às normas, esses três cineastas singulares parecem manifestar uma inquietude ainda mais profunda: o temor de que se esteja vivendo uma morte da imaginação. Que, como qualquer déspota poderia esclarecer, é de longe a mais subversiva e incorruptível das qualidades humanas. Acenar para os adultos com obras infantis, como o trio faz, é pedir desde a compra do ingresso que o espectador se acredite ainda capaz de uma imaginação livre e desarmada como a que o guiou na infância. Em troca, Anderson e Jonze (do Alice de Burton ainda não se pode afirmar nada) oferecem filmes que são como um espelho em que todas as manchas e distorções tenham sido corrigidas. É fascinante ou terrível, conforme o caso, já que nele o espectador vê o que foi, o que se tornou, e o que deveria ter se tornado.
O trio de diretores chega assim longe porque já parte de pontos fora da curva - autores tradicionalmente lidos na infância, mas só completamente compreendidos na maturidade. Maurice Sendak é um bom exemplo. Publicado em 1963, Onde Vivem os Monstros narra a história de Max, o menino que, vestido em uma inexplicável fantasia de lobo, ameaça a mãe ("Vou devorar você"), é mandado para o quarto de castigo e de lá viaja para uma ilha habitada por monstros. Contado em frases exíguas, e com belíssimas ilustrações, o livro é amado pelas crianças. Relido depois de uns tantos anos, ou visto na adaptação de Spike Jonze, ecoa incessantemente com angústias freudianas – as angústias que as crianças sentem, mas cuja natureza nunca poderiam adivinhar.
Lewis Carroll e Roald Dahl, entretanto, são os casos mais clássicos, já que na verdade podem ser mais bem apreciados, e não só entendidos, com o passar dos anos. Aventuras de Alice no País das Maravilhas (publicado em 1865) e Através do Espelho (1871), as fontes do Alice de Burton, são livros complexos, repletos de trocadilhos, enigmas matemáticos e alusões literárias e históricas. Mais ao ponto ainda, há neles um toque de pesadelo, com criaturas sempre enredadas em atividades monomaníacas cujo absurdo são incapazes de perceber: a lebre permanentemente atrasada, o chapeleiro louco e sua mesa de chá idem, a rainha de copas que manda cortar a cabeça dos desafetos, a rainha vermelha que corre a toda a velocidade e permanece no mesmo lugar. "Em uma sociedade reprimida como a vitoriana, Carroll revelou que existia um mundo próprio das crianças – um mundo de cabeça para baixo, surreal, perturbador. Como muitas obras do período, Alice libera nosso lado mais indomável, não civilizado", disse a VEJA o ator Michael Sheen, que interpreta a Lebre no filme de Burton.
Carroll foi o expoente da literatura nonsense que teve sua voga na Inglaterra do século XIX, e Roald Dahl seria o seu legítimo herdeiro no século seguinte. Não apenas porque a obra de ambos é terreno mais fértil ainda que a de Sendak para a interpretação em moldes freudianos; também Dahl fez uso do absurdo para mirar no adulto que cada criança contém – e que, nesse estado embrionário, está ainda em tempo de ser libertado da estreiteza e da estupidez. Em O Fantástico Sr. Raposo, quando o protagonista recai no vício e volta a roubar, os três fazendeiros empreendem uma caçada de proporções caóticas a ele e aos outros animais da área. Raposo, que não consegue se conter, responde à perseguição em escala, com ações cada vez mais audaciosas – e inspiradas, agregadoras e libertadoras. Os fazendeiros, lógico, representam a mediocridade rampante, a ganância burra e o ódio dos medíocres aos que diferem deles; Raposo é o espírito que não pode ser vencido. De que lado dessa história se vai ficar, sugerem Roald Dahl e Wes Anderson, é uma questão de escolha. Fazê-la cedo (e certo) é bom. Mas fazê-la tarde também é ótimo, acredita o diretor. Que, se não estivesse convicto disso, não teria passado três anos fazendo este filme lindo, engraçado, tecnicamente notável e estranhamente comovente.



Fonte :http://veja.abril.com.br/021209/para-gente-grande-p-198.shtml

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