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FÁBULA é uma narração breve, de natureza simbólica, cujos personagens por via de regra são animais que pensam, agem e sentem como os seres humanos. Esta narrativa tem por objetivo transmitir uma lição de moral.

PARÁBOLAS.

PARÁBOLAS , falam de algo que o povo já conhece, para levá-lo a descobrir aquilo que ele nem imagina. Assim podem falar de realidades misteriosas como o Reino de Deus, por exemplo, como as parábolas de Jesus nos envolvem naquilo que está sendo apresentado e provocam uma iluminação por meio de uma comparação que nos faz perceber como a realidade funciona...

METÁFORA.


METÁFORA é uma figura de estilo (ou tropo linguístico), que consiste numa comparação entre dois elementos por meio de seus significados imagísticos, causando o efeito de atribuição "inesperada" ou improvável de significados de um termo a outro. Didaticamente, pode-se considerá-la como uma comparação que não usa conectivo (por exemplo, "como"), mas que apresenta de forma literal uma equivalência que é apenas figurada.

MITO é uma narrativa de caráter simbólico, relacionada a uma dada cultura. O mito procura explicar a realidade, os principais acontecimentos da vida, os fenômenos naturais, as origens do Mundo e do Homem por meio de deuses, semi-deuses e heróis. O mito só fala daquilo que realmente aconteceu do que se manifestou, sendo as suas personagens principais seres sobrenaturais, conhecidos devido aquilo que fizeram no tempo dos primordios. Os mitos revelam a sua actividade criadora e mostram a “sobrenaturalidade” ou a sacralidade das suas obras. Em suma os mitos revelam e descrevem as diversas e frequentemente dramáticas eclosões do sagrado ou sobrenatural nomundo. É está “intormição” ou eclosão do sagrado(sobrenatural), que funda, que dá origem ao mundo tal como ele é hoje. Sendo também graças à intervenção de seres sobrenaturais que o homem é o que é hoje.

Ler é viajar sem sair do lugar.

Ler é viajar sem sair do lugar.

Desperte para o Mundo Encantado da Leitura.


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segunda-feira, 18 de abril de 2016

As pedras da vida




Um dia, um motivador perito estava dando uma palestra para um grupo de profissionais. Para esclarecer um ponto usou um exemplo que os profissionais nunca se esqueça.

De pé em frente de o público de pessoas muito bem-sucedidas, disse que gostaria de fazer um pequeno teste ... A partir de debaixo da mesa, ele tomou uma boca larga jarra de vidro e colocá -lo sobre a mesa diante dele. Então ele pegou uma dúzia de pedras do tamanho de um punho e começou a colocá -los um por um na jarra. Quando o frasco estava cheio até a borda e não poderia colocar mais pedras perguntou à platéia: É este frasco cheio Todos os participantes disse sim! Então ele disse: Tem certeza? E ele realizado sob a mesa de um balde com pequenas pedras de construção. Ele jogou algumas pedras no jarro e mudou-se fazendo pequenas pedras são acomodados no espaço entre o grande. Quando ele terminou, ele perguntou de novo: este frasco é cheio? Desta vez, o público já suposto que estava por vir e um dos participantes disse em voz alta: ". Provavelmente não" Ok respondeu o expositor. Ele tirou de debaixo da mesa um balde cheio de areia e começou a jogar para o pote. . A areia resolvido no espaço entre as pedras grandes e pequenas Mais uma vez peço ao grupo: este frasco é cheio? Desta vez, várias pessoas responderam em uníssono: Não! Mais uma vez o orador disse: Tudo certo! em seguida, ele puxou um frasco cheio de água e despejou jarro de água com pedras até que ele estava mesmo brimful. Quando ele terminou, olhei para a platéia e perguntou: O que você acha que é o ensino desta pequena demonstração? Um dos o público levantou a mão e disse: A lição é que não importa quão cheia sua programação é, se você realmente tentar, você sempre pode incluir mais coisas. Não! Ele respondeu o orador, que é de ensino. A verdade é que este show nos ensina: Se você não colocar as pedras grandes em primeiro lugar, você não pode colocá-los a qualquer momento.¿ Quais são as pedras grandes em sua vida? Será que os seus filhos, seus amigos, seus sonhos, sua saúde, sua amada? Ou o seu trabalho, as suas reuniões, viagens de negócios, poder e dinheiro? A escolha é sua. Lembre-se de colocar as pedras grandes primeiro e depois não encontrar um lugar para eles.


Fonte:http://www.caracascoaching.com/2008/05/las-piedras-de-la-vida.html

Metáforas: para aprender melhor e memorizar mais rápido


terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Era uma vez um Burro...





Por: Gabriel Fernandes




       

Era uma vez uma linda floresta, longe de tudo, onde viveu um burro que não gostava de ser chamado de burro. Ainda muito pequenininho, apenas um burrico, começou a desconfiar de que ser burro não devia ser bom, devia ser uma coisa ruim. Todos o olhavam com expressão de deboche, de desprezo, de repulsa ou de comiseração. Todos evitavam sua companhia. O pobrezinho vivia sempre sozinho.


– Mamãe, não quero ser burro!


– Não posso fazer nada, meu querido, o papai e a mamãe também são burros. É a nossa natureza.






– Então, vocês não deveriam ter me posto no mundo. Eu não queria ser filho de vocês. Tenho vergonha de ser burro. Eu tenho vergonha de vocês.


A mãe não teve resposta a dar para o filho. Ficou deprimida. O pai prometeu tirar a vergonha do filho com uma boa surra de vara.


Um dia o burrico pastava num amplo campo próximo de sua casa quando uma raposa se aproximou silenciosamente. “Vou gozar desse burrico – pensou –, eles são uns boçais muito engraçados.”


– Bom dia, burrico, contando o capim?


O burrico não respondeu. Apenas mostrou para a raposa sua cara triste, seu olhar de profunda amargura.


A raposa ficou penalizada diante da expressão abatida do pobre burrico.


– O que você tem, meu querido?


– Não quero ser burro. – tartamudeou o burrico.


– Como é isso? Você não pode mudar a sua natureza!


– Não quero ser burro! – repetiu o pequeno.


A raposa calou-se por um bom tempo. O burrico parou de pastar. Apenas olhava a distância, a visão turvada pelas lágrimas que ameaçavam cair de seus olhos.


A raposa pensava e pensava, pensava em uma maneira de ajudar o burrico a superar sua crise existencial. Finalmente, pareceu-lhe ter encontrado uma solução para a burrice do burrico.


– Sabe, meu querido, eu ouvi dizer que na Floresta Grande existem lugares onde se aprende tudo sobre a vida, onde todos ficam mais sabidos. Acho que até os burros deixam de ser burros.


A cara do burrico se iluminou. Depois de muito tempo, ele foi capaz de voltar a esboçar um sorriso, um sorriso como do tempo em que não sabia que era burro.


– É verdade isso ou você quer se divertir comigo? A mamãe me disse que as raposas são muito sabidas, muito dissimuladas.


– Calúnia, meu querido, calúnia. Peça para o papai mandá-lo para a Floresta Grande, lá você vai estudar e deixar de ser burro.


O burrico dispara sobre a verde relva em direção de casa. A raposa permanece alguns instantes observando aquela criaturinha desengonçada correndo em direção ao futuro. Sente um aperto no coração. Mentalmente tece desejos de boa sorte, de sucesso, para a ingênua criaturinha.


Foi por isso que o burrico foi viver na Floresta Grande. Ali encontrou animais que nunca tinha visto antes, bichos de toda parte do mundo. A floresta era um lugar fantástico.


Durante anos o burrico dedicou-se aos estudos. Estudava mais do que os outros bichos, para compensar sua burrice, mais do que as atentas corujas, muito mais do que as espertas raposas, muitíssimo mais do que os inteligentes chimpanzés.


Ele adorava filosofia. Estudou a filosofia chinesa, os escritos pré-socráticos, os filósofos clássicos, até chegar à literatura filosófica contemporânea. Gostava de astronomia, física, história e geografia, e era um ótimo aluno de matemática. Estudou várias línguas estrangeiras e comunicava-se com proficiência em quase uma dezena delas.


Depois de alguns anos, ninguém mais o olhava com desprezo. Seus olhos refletiam a segurança e o brilho das almas cultas.










Era uma vez outra floresta, muito distante da floresta do burrico. Lá vivia um bode que desde cedo concluiu que o mundo havia sido criado para ele. Não reconhecia limites, não respeitava fronteiras ou cercas. Invadia as hortas alheias e devorava as hortaliças e legumes sem a menor cerimônia. Perto de sua casa tinha um bosque onde floresciam diversos pés de marula. O bode costumava comer suas frutas e folhas e embriagar-se até cair.


Não gostava de escola, aliás, repudiava o conhecimento. Costumava vangloriar-se de que tudo de que precisava para tornar-se um bode sábio aprendera nas margens dos açudes, no chão das pocilgas, nas hortas e pomares dos vizinhos que invadia inescrupulosamente. O bode considerava-se um sabichão.


Um dia, enquanto varava a cerca de uma verdejante horta, deparou-se com uma raposa que se preparava para devorar uma galinha.


– Vá em frente, companheira, manda brasa nessa penosa. Eu não estou vendo nada. Um bom cabrito não berra! – gracejou o bode.


Enquanto um triturava uma cenoura e a outra depenava a galinha, ambos conversavam animadamente gabando-se de seus incontáveis delitos. O diálogo continuou até o fim do apetite por cenouras e o fim da carcaça da galinha, mas antes acabou resvalando na história da Floresta Grande, que a raposa tinha ouvido alguém mencionar, e nas possibilidades infinitas que o lugar oferecia para ascensão social.










O bode sentiu-se motivado a conhecer a Floresta Grande, onde desembarcou tempos depois com várias mudas de marula. O choque foi tremendo. Animais incríveis, formas estranhas que ele jamais imaginou pudessem existir. Assustado, procurou enturmar-se com outros de sua espécie, limitando-se a percorrer a periferia da enorme floresta, onde plantou as mudas que trouxera de sua região. Aos poucos foi se sentindo mais seguro a ponto de, meses depois, se interessar pela administração da floresta.


– Quem manda nisto tudo? Quem é o rei do pedaço? O cara deve ser muito rico? Como se faz para ser rei? Qualquer um pode ser rei?


As respostas eram desencontradas. Os bichos da periferia não entendiam bem o processo. A ignorância o enchia de esperanças, de planos, de sonhos.


Certo dia, sentindo-se mais confiante, resolveu aprofundar-se mais na floresta em direção ao centro. Foi quando viu um animal gigantesco. Suas pernas eram como troncos de árvores, seu corpo parecia uma enorme rocha parda, seu nariz era estranhamente longo e chegava quase ao chão.


“Vige! Esse deve ser o rei do pedaço. Que bicho grande!”


Não ousou se aproximar. Ficou observando de longe e tirando suas conclusões: “Se ele é rei, eu também posso ser. Eu tenho quatro pernas como ele, uma boca, um rabo, duas orelhas e dois olhos. Ele é apenas um pouquinho mais alto do que eu. Eu tenho a vantagem de ter os chifres no lugar certo, no alto da cabeça, enquanto os dele saem na altura da boca. Não vejo serventia nisso. Além do mais, ele tem um nariz horrível e não possui uma bela barbicha como a minha.” – o bode manifestava um amor sem limites por si mesmo, sintomas claros de egolatria.


Para seus companheiros, contou o encontro com o rei, desmereceu-lhe o tamanho, desfez de sua tromba, menosprezou sua força.


– Se eu quiser posso ficar como ele. Basta comer um pouco mais e fazer um pouquinho de musculação.


Ardiloso, introduziu os companheiros no viciante consumo de marula. Os efeitos alucinógenos pareciam deixar os bichos com certa disposição a acreditar em qualquer coisa. Após uma semana já estava tentando convencer seus companheiros de que se parecia com um elefante:


– Você viu minhas pernas? Estão ficando grossas como troncos. Meu nariz já cresceu vários centímetros e minhas orelhas estão muito mais largas.


Após mais de um mês enchendo os bichos de marula e repetindo a mesma história, o mesmo discurso, a mesma litania, seus companheiros estavam dispostos a concordar com ele rapidamente a fim de evitar uma repetição interminável de argumentos ou porque haviam sido realmente convencidos. O bode exercitava sua loquacidade doentia. Ele mesmo parecia acreditar no que dizia. Começavam a se manifestar sintomas irrefutáveis de mitomania, o que seria o traço mais marcante de sua personalidade doentia.










O burrico continuava a estudar. Filiou-se a sociedades culturais, publicava artigos em revistas científicas, participava de grupos de discussão filosófica, lecionava em cursos de pós-graduação, fazia trabalho voluntário em escolas de alfabetização de adultos. Apesar de inúmeros convites, negava-se a participar de campanhas eleitorais, de filiar-se a qualquer partido político, a ocupar cargo público em qualquer nível de governo ou nos conselhos administrativos de empresa estatais.


Sua vida seguia às mil maravilhas. Os bichos o cumprimentavam na rua com simpatia e admiração. No condomínio onde morava, todos o tratavam respeitosamente como Doutor Burro.


Nas conferências sobre Ética, que ele costumava pronunciar nas faculdades, nas associações de classe e em eventos realizados por grandes corporações, suas palavras eram recebidas como as de uma pregação religiosa, enchendo de ânimo e de esperança os corações tão desacreditados nos valores humanos.










À beira de um grande lago, o bode consumia uma horta que acabara de invadir junto com uns companheiros. Subitamente, o sol parece se esconder às suas costas. A temperatura cai bruscamente e deixa paralisado o bode: “Vige! Que será que houve?“ Ele pressente que alguma coisa se move atrás dele, mas não tem coragem de se virar. Ele vê, de canto de olho, a sombra do que parece ser uma gigantesca serpente que mergulha nas águas turvas do lago. Todo seu corpo treme: “Será que é o dono da horta? Se for, vou dizer que não sabia de nada, que meus companheiros são responsáveis, porque foram eles que me convidaram para o almoço!”.


Passados alguns segundos, como nada acontece, ele recupera o sangue frio e vira-se lentamente em direção da serpente que o cobria com sua sombra. Um bicho altíssimo, descomunal, serve-se da água do lago placidamente, saciando sua sede sem a menor preocupação. “Vige! Que bichão! Esse deve ser o rei, o outro era muito gordo e atarracado e não tinha presença de rei. Esse não, esse tem porte altivo e certa majestade. Claro, esse é o rei.”.


Detém-se examinando o rei. É realmente grande e tem os chifres no lugar certo. Suas pernas são longuíssimas e fortes, seu pescoço parece atingir o céu. Seu andar é lento e compassado e seu pêlo parece uma manta de rei. Sua cabeça é enorme. “Claro! Encontrei o rei. – felicitou-se – Imagino qual deve ser o tamanho e o valor da coroa.”.


Ele procurava as semelhantes entre ele e a girafa e pensava nos argumentos, na estratégia que utilizaria para convencer seus companheiros de que ele era uma girafa, aliás, uma girafa muito mais qualificada, com uma barbicha que fazia inveja a qualquer um e lhe emprestava uma aparência de elegante superioridade. Afinal, ele não era muito mais baixo do que aquela girafa que saciava a sede placidamente nas águas turvas do lago. Em pouco tempo seus companheiros estariam convencidos de suagirafacidade e prontos para transformá-lo no rei da Floresta Grande. Novos sintomas de sua personalidade doentia, movida por impulsos excessivos e mórbidos para alcançar a glória.


Sua viagem teomaníaca foi interrompida por um ruído ensurdecedor, um trovejar, um estrondar contínuo, como o prenúncio de uma inusitada e repentina tempestade, como alguma coisa que não se parecia com coisa alguma que o bode já tivesse presenciado. A girafa disparou em retirada, sumindo no meio da mata. A vida parece que deixou de fluir, fez-se um silêncio aterrador. Todo arrepiado, o bode permaneceu estático, bem como seus companheiros, como que congelado sobre a areia fina da margem do imenso lago.


Do meio da mata, de uma estreita trilha que parecia brotar da densa vegetação, surgiu um animal terrível, um enorme felino, de porte majestoso, de pelagem dourada, de barba imensa que lhe coroava toda a cabeça. Rosnou mais uma vez. O silêncio parecia dobrar-se sobre si mesmo e tornar-se mais silencioso ainda. O bode deixou de respirar por alguns segundos. “Vige! Esse sim é o rei. Estou ferrado. Tenho de pensar em alguma coisa, rapidinho.”


O leão aproximou-se ameaçadoramente. O bode contraiu-se todo, parecia um cabritinho de parque de diversões. Mesmo apavorado, encolhido em sua pequenez, sua mente funcionava a todo vapor. As presas da boca do leão eram quase do tamanho da cabeça do bode que estava prestes a desfalecer. O leão escancarou as mandíbulas. O bode pode sentir seu bafo fétido de sangue e de carne, ainda em processo de digestão. Quando as mandíbulas se fechavam sobre a cabeça do bode, ele ainda conseguiu ter presença de espírito para pedir:


– Vige! Calma meu rei, eu não sou a refeição mais apropriada para uma majestade como a sua.


O leão não concluiu o movimento de abocanhação do bode surpreendido por tamanha ousadia.


– Calma sua majestade, eu posso explicar.


E durante um bom tempo, e com uma conversa tortuosa e ladina, ofereceu marula ao rei e convenceu o soberano a devorar primeiro quatro de seus companheiros, que eram mais novos e deviam ter a carne mais macia. Saciado em sua fome, o leão deitou-se à sombra de uma árvore para fazer a sesta e o bode pode escapar da encrenca sem nenhum arranhão. Quanto aos companheiros remanescentes, que estavam indignados com a traição do bode, um pouco de marula e uma boa conversa o transformou em herói, afinal eles só estavam vivos graças à sua esperteza.










O burro continuava a levar sua vida de intelectual, distribuindo conhecimentos e exemplos de boa conduta. Tentou inúmeras vezes trazer os pais para a Floresta Grande, mas estes preferiam viver longe dos grandes centros, sob o argumento de que a burrice é relativa. Na Floresta Grande eles se sentiriam ainda mais burros.


Os jornais e revistas da grande floresta publicavam regularmente artigos escritos pelo burro, defendendo a democracia, cobrando justiça, criticando o desperdício de recursos públicos, censurando a inércia dos tribunais, a leniência da justiça, condenando a violência policial, propondo políticas públicas capazes de oferecer condições semelhantes de competição para todos os bichos ou pelo menos de reduzir as diferenças.


O burro era feliz.










De volta à periferia, o bode tinha muita história para contar e muita gente a convencer de que ele era um leão. Pensou em deixar a barbicha crescer, passou a usar um boné para esconder os chifres, distribuiu marula a todos quantos quisessem e voltou a infernizar a vizinhança com a conversa de que era um leão.


Tanto falou, tanto pregou, tanto discurso fez que aos poucos crescia o número dos que acreditavam que ele era realmente um leão. Sua fama extrapolou os limites da periferia e já se espalhava por toda a floresta.


Após quase trinta anos de distribuição de marula, de pregação doutrinária, de estratégias de convencimento, de criação de agremiações de seguidores do novo leão, de mentiras repetidas à exaustão, até seus pais juravam que ele nunca tinha sido um bode, que desde pequenininho ele já tinha aquela aparência de leão.


O cenário estava montado, mas o trono estava ocupado. Nessas quase três décadas de doutrinação, além do processo de convencimento de que o bode era um leão, estrategicamente foi urdida uma teia de desmoralização, de diminuição, de aniquilação dos valores, das qualidades, das virtudes do rei, do verdadeiro leão.


A população de bichos seguia o bode como uma legião de fanáticos, uma horda de lunáticos incapazes de perceber as dessemelhanças entre o rei, leão, e o bode, contrafator. Internacionalmente, não se sabe com que intenção, se por maldade, se por pilhéria ou se por alguma motivação escusa, os dirigentes de outras florestas concordavam, atestavam, garantiam a leonidade do bode: – Esse é o leão!


Uma noite o rei foi morto ao sair de um restaurante. Os assassinos foram presos e mortos nos porões de uma delegacia antes que pudessem ter sido interrogados pelos delegados ou ouvidos pela justiça. O legista que examinou o corpo do rei também foi morto, assim como catorze bichos que testemunharam o assassinato do rei. A promotora encarregada das investigações sofreu um atentado e só não morreu por pura sorte, e agora vive escondida em algum lugar na floresta.


Quando alguém perguntava ao bode se ele tinha ideia de quem podia ter encomendado o assassinato do rei, ele apenas olhava com um olhar frio de aço e respondia com um sorriso sarcástico:


– Não sei de nada. Não vi nada. Não tenho nada a ver com isso.


Foi muito fácil para o bode ocupar o lugar do rei. Após algum tempo, muita marula e muitíssimas tramoias, a multidão de bichos praticamente o carregou para os salões do palácio, para o trono do antigo rei. Todos estavam convencidos de que o bode era um leão.


O staff do novo rei era constituído por toda espécie de bicho: hienas, lobos, raposas, serpentes, jumentos, jegues, preguiças, urubus, carcarás, toda sorte de animais peçonhentos e de rapina. Os bichos estavam felizes. Isso que era governo. Sentiam-se representados.










Confirmando a regra, o burro era a única exceção. Abstêmio, não foi tragado pela onda de marula que cobrira a floresta nem convencido pelas teses do novo governo que emburreciam os bichos. Seus artigos passaram a ser mais contundentes, apesar da censura que o impedia de divulgá-los em alguns meios de comunicação, principalmente nos mais populares.


O burro começou a incomodar demais os poderosos. O governo do bode, perdão, do leão, tentou cooptar o burro. Mandou representantes adulá-lo, ressaltar suas qualidades, elogiar sua posição ética e oferecer-lhe uma embaixada na floresta que ele escolhesse, conquanto que fosse bem longe da grande floresta.


Obviamente, prevaleceram os valores éticos do burro. Ele se negou a calar-se, ao contrário, garantiu que seus artigos seriam ainda mais contundentes. Denunciaria a falsa leonidade do rei, exporia o descalabro da administração pública, sujeita, que estava, aos assaltos dos companheiros do rei, apontaria a corrupção descontrolada, as tentativas de suprimir a liberdade de imprensa, os direitos individuais e os direitos de livre expressão e de propriedade.






Era uma vez um burro... Seu corpo foi encontrado, na margem de um rio, perfurado por incontáveis projéteis de fuzil. Questionado, o rei lamentava profundamente a morte do companheiro, prometia apurar até as últimas consequências, doesse a quem doesse, e garantiu que não sabia de nada, não tinha visto nada, não tinha ouvido nada. Por fim, acusava a imprensa de querer derrubá-lo por ser um leão de origem humilde, analfabeto, que aprendeu tudo sobre a vida entre as cercas das hortas alheias, no chão das pocilgas imundas, nos currais infectos, nas exuberantes plantações de marula.


Embriagada de marula, a bicharada continua a aplaudir o bode, como se leão fosse.






Moral da história: quem mandou querer deixar de ser burro?







Fim?



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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O SEGREDO DA FELICIDADE








Um infeliz homem que,amargurado por não encontrar a felicidade, fechou a pobre casa,e foi mundo afora, à procura deste estado intimo do espírito. Percorreu todos os caminhos, todas as nações , todos os povos, sem descansar, até encontrar o lugar que acharia encontrar para ser feliz. Onde chegava, reunia ele um pequeno grupo ao qual explicava os planos que tinha para ser feliz...Afirmava que seus seguidores seriam felizes na posse de regiões gigantescas, onde haveria montes de ouro...mas o povo lamentava e ninguém o seguia... no dia seguinte, recomeçava a caminhada.Assim, foi percorrendo cidades e cidades, de país em país,anos a fio... um dia percebeu que estava ficando velho, seus cabelos brancos, suas mãos enrijecidas e cansado de tanto procurar essa tal felicidade...



.

..foi quando parou em frente a uma casa antiga, janelas de vidro quebradas, o mato cobrindo o canteiro do jardim, poeira invadindo todos os cantos dela, e ninhos de passarinhos construídos pelos pardais. PENSOU E TOMOU UMA DECISÃO : Vou tratar de ser feliz aqui. Arrumaria o telhado,colocaria novas janelas e vidros novos,cuidaria do jardim,pintaria as paredes...e cantaria a canção da felicidade.
Foi quando parou e ficou imóvel, qual estátua de pedra: AQUELA CASA ERA A PRÓPRIA RESIDÊNCIA QUE ELE ABANDONARA HÁ TANTOS ANOS, A PROCURA DA FELICIDADE...


Autoria desconhecida

MORAL DA HISTÓRIA :
“Felicidade não é conquistar o que se deseja, mas continuar desejando o que já conquistou!”
a

O copo d'água





O velho mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d'água e bebesse.

"Qual é o gosto?", perguntou o Mestre.

"Ruim", disse o aprendiz.

O mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago. Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago, então o velho disse:

"Beba um pouco dessa água".

Enquanto a água escorria do queixo do jovem, o mestre perguntou:

"Qual é o gosto?"

"Bom!" disse o rapaz.

"Você sente gosto do sal?", perguntou o mestre.

"Não", disse o jovem.

O mestre então sentou ao lado do jovem, pegou sua mão e disse:

"A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende do lugar onde a colocamos. Então quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido das coisas. Deixe de ser um copo. Torne-se um lago".

domingo, 11 de novembro de 2012

A ÁRVORE DOS PROBLEMAS




Eu tinha contratado um carpinteiro para ajudar-me a consertar um armário. O dia dele não tinha sido nada fácil: trabalhou duro, sua máquina de cortar madeira estragou, ele perdeu uma hora de trabalho e, na hora de sair, seu velho caminhão se negava a arrancar.

Levei-o para casa. Ele estava sentado ao meu lado. Não falou nada. Quando chegamos, convidou-me para conhecer sua família. Caminhando até a porta, ele parou um momentinho diante de uma pequena árvore e tocou-a, com suas mãos nas pontas dos galhos.


Quando se abriu a porta, aconteceu a transformação: a cara dele estava bem iluminada por um grande sorriso. Abraçou o filho e deu um beijo em sua esposa.

Mais tarde ele me acompanhou até o carro. Quando passamos perto da árvore, fiquei curioso e lhe perguntei sobre o que tinha observado antes:
- Oh, esta é a minha árvore de problemas, respondeu ele. Sei que não tenho como evitar problemas no trabalho, mas de uma coisa eu sei: eles não pertence à minha casa nem à minha esposa, nem aos meus filhos Por isso, eu simplesmente os penduro na árvore quando chego em casa de noite. Na manhã seguinte, eu os recolho de novo.

Continuou ele falando:


- O engraçado é, disse ele sorrindo, que, quando saio de manhã para recolhe-los, nunca há tantos problemas como me lembro de ter colocado na noite anterior.




Autoria desconhecida

sábado, 28 de abril de 2012

O BURRO NO POÇO




Um dia, o burro de um camponês caiu num poço. Não chegou a se ferir, mas não podia sair dali por conta própria. Por isso o animal chorou fortemente durante horas, enquanto o camponês pensava no que fazer.Finalmente, o camponês tomou uma decisão cruel: concluiu que já que o burro estava muito velho e que o poço estava mesmo seco, precisaria ser tapado de alguma forma. Portanto, não valia a pena se esforçar para tirar o burro de dentro do poço. Ao contrário, chamou seus vizinhos para ajudá-lo a enterrar vivo o burro. Cada um deles pegou uma pá e começou a jogar terra dentro do poço.
O burro não tardou a se dar conta do que estavam fazendo com ele e chorou desesperadamente. Porém, para surpresa de todos, o burro aquietou-se depois de umas quantas pás de terra que levou. O camponês finalmente olhou para o fundo do poço e se surpreendeu com o que viu.
A cada pá de terra que caía sobre suas costas, o burro a sacudia, dando um passo sobre esta mesma terra que caía ao chão. Assim, em pouco tempo, todos viram como o burro conseguiu chegar até a boca do poço, passar por cima da borda e sair dali trotando.
A vida vai te jogar muita terra nas costas. Principalmente se você já estiver dentro de um poço. O segredo para sair do poço é sacudir a terra que se leva nas costas e dar um passo sobre ela.
Cada um de nossos problemas é um degrau que nos conduz para cima.
Finalmente, o camponês tomou uma decisão cruel: concluiu que já que o burro estava muito velho e que o poço estava mesmo seco, precisaria ser tapado de alguma forma. Portanto, não valia a pena se esforçar para tirar o burro de dentro do poço. Ao contrário, chamou seus vizinhos para ajudá-lo a enterrar vivo o burro. Cada um deles pegou uma pá e começou a jogar terra dentro do poço.
O burro não tardou a se dar conta do que estavam fazendo com ele e chorou desesperadamente. Porém, para surpresa de todos, o burro aquietou-se depois de umas quantas pás de terra que levou. O camponês finalmente olhou para o fundo do poço e se surpreendeu com o que viu.
A cada pá de terra que caía sobre suas costas, o burro a sacudia, dando um passo sobre esta mesma terra que caía ao chão. Assim, em pouco tempo, todos viram como o burro conseguiu chegar até a boca do poço, passar por cima da borda e sair dali trotando.
A vida vai te jogar muita terra nas costas. Principalmente se você já estiver dentro de um poço. O segredo para sair do poço é sacudir a terra que se leva nas costas e dar um passo sobre ela.
Cada um de nossos problemas é um degrau que nos conduz para cima.


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O sábio e a borboleta.



Havia um pai que morava com suas duas jovens filhas, meninas muito curiosas e inteligentes.

Suas filhas sempre lhe faziam muitas perguntas.

Algumas ele sabia responder, outras não fazia a mínima idéia da resposta.

Como pretendia oferecer a melhor educação para suas filhas, as enviou para passar as férias com um velho sábio que morava no alto de uma colina.

Este, por sua vez, respondia todas as perguntas sem hesitar.

Já muito impacientes com essa situação, pois constataram que o tal velho era realmente sábio, resolveram inventar uma pergunta que o sábio não saberia responder.

Passaram-se alguns dias e uma das meninas apareceu com uma linda borboleta azul e exclamou para a sua irmã:
- Dessa vez o sábio não vai saber a resposta!
- O que você vai fazer? - perguntou a outra menina.
- Tenho uma borboleta azul em minhas mãos.




Vou perguntar para o sábio se a borboleta está viva ou morta.

Se ele disser que ela está morta, vou abrir minhas mãos e deixá-la voar para o céu.

Se ele disser que ela está viva, vou apertá-la rapidamente, esmagá-la e assim matá-la.

Como conseqüência, qualquer resposta que o velho nos der vai estar errada.

As duas meninas foram, então, ao encontro do sábio, que encontrava-se meditando sob um eucalipto na montanha.

A menina aproximou-se e perguntou:
Calmamente o sábio sorriu e respondeu:



- Depende de você... ela está em suas mãos.

Assim é a nossa vida, é o nosso presente e o nosso futuro.

Não devemos culpar ninguém porque algo deu errado.

O insucesso é apenas uma oportunidade de começar novamente com mais inteligência.

Somos nós os responsáveis por aquilo que conquistamos ou não.

Nossa vida está em nossas mãos --- como uma borboleta azul.

Cabe a nós escolher o que fazer com ela, só a nós; não deixe ninguém interferir nisso.

Nunca !!!


Autoria desconhecida

domingo, 25 de setembro de 2011

O SÁBIO E A VAQUINHA


Era uma vez, numa terra distante, um sábio chinês e seu discípulo. Certo dia, em suas andanças, avistaram ao longe um casebre. Ao se aproximar, notaram que, a despeito da extrema pobreza do lugar, a casinha era habitada. Naquela área desolada, sem plantações e sem árvores, viviam um homem, uma mulher, seus três filhos pequenos e uma vaquinha magra e cansada. Com fome e sede, o sábio e o discípulo pediram abrigo por algumas horas. Foram bem recebidos. A certa altura, enquanto se alimentava, o sábio perguntou:


“Este é um lugar muito pobre, longe de tudo. Como vocês sobrevivem?”
“O senhor vê aquela vaca? Dela tiramos todo o nosso sustento”, disse o chefe da família. Ela nos dá leite, que bebemos e também transformamos em queijo e coalhada. Quando sobra, vamos à cidade e trocamos o leite e o queijo por outros alimentos. É assim que vivemos.




O sábio agradeceu a hospitalidade e partiu. Nem bem fez a primeira curva da estrada, disse ao discípulo:

“Volte lá, pegue a vaquinha, leve-a ao precipício ali em frente e atire-a lá pra baixo.”

O discípulo não acreditou.


“Não posso fazer isso, mestre! Como pode ser tão ingrato? A vaquinha é tudo o que eles têm. Se eu jogá-la no precipício, eles não terão como sobreviver. Sem a vaca, eles morrem!”

O sábio, como convém aos sábios chineses, apenas respirou fundo e repetiu a ordem:

“Vá lá e empurre a vaca no precipício.”

Indignado, porém, resignado, o discípulo voltou ao casebre e, sorrateiramente, conduziu o animal até a beira do abismo e o empurrou. A vaca, previsivelmente, estatelou-se lá embaixo.

Alguns anos se passaram e durante esse tempo o remorso nunca abandonou o discípulo. Num certo dia de primavera, moído pela culpa, abandonou o sábio e decidiu voltar àquele lugar. Queria ver o que tinha acontecido com a família, ajudá-la, pedir desculpas, reparar seu erro de alguma maneira. Ao fazer a curva da estrada, não acreditou no que seus olhos viram. No lugar do casebre desmazelado havia um sítio maravilhoso, com muitas árvores, piscina, carro importado na garagem, antena parabólica. Perto da churrasqueira, estavam três adolescentes robustos, comemorando com os pais a conquista do primeiro milhão de dólares. O coração do discípulo gelou. O que teria acontecido com a família? Decerto, vencidos pela fome, foram obrigados a vender o terreno e ir embora. Nesse momento, pensou o aprendiz, devem estar mendigando em alguma cidade. Aproximou-se, então, do caseiro e perguntou se ele sabia o paradeiro da família que havia morado lá havia alguns anos.
“Claro que sei. Você está olhando para ela”, disse o caseiro, apontando as pessoas ao redor da churrasqueira.


Incrédulo, o discípulo afastou o portão, deu alguns passos e, chegando perto da piscina, reconheceu o mesmo homem de antes, só que mais forte e altivo, a mulher mais feliz, as crianças, que haviam se tornado adolescentes saudáveis. Espantado, dirigiu-se ao homem e disse:


“Mas o que aconteceu? Eu estive aqui com meu mestre uns anos atrás e este era um lugar miserável, não havia nada. O que o senhor fez para melhorar tanto de vida em tão pouco tempo?”

O homem olhou para o discípulo, sorriu e respondeu:


“Nós tínhamos uma vaquinha, de onde tirávamos nosso sustento. Era tudo o que possuíamos. Mas, um dia, ela caiu no precipício e morreu. Para sobreviver, tivemos que fazer outras coisas, desenvolver habilidades que nem sabíamos que tínhamos. E foi assim, buscando novas soluções, que hoje estamos muito melhor que antes.
(Autor desconhecido)

sábado, 17 de setembro de 2011

Fábula de Philipp Otto Runge, pintor alemão do século XIX.


Fábula de Philipp Otto Runge, pintor alemão do século XIX.

Por :Leonardo Boff


Nossa cultura ocidental se caracteriza por excessiva arrogância, exacerbada pela tecnociência com a qual domina o mundo. Em tudo se mostra excessiva: na exploração ilimitada da natureza, na imposição de suas crenças políticas e religiosas e quando acha oportuno, na guerra levada a todos os quadrantes. Esta cultura padece do “complexo-Deus”, pois pretende tudo saber e tudo poder.


Um certo casal vivia numa choupana miserável junto a um lago. Todo dia a mulher ia pescar para comer. Certa feita, puxou em seu anzol um peixe muito estranho que não soube identificar. O peixe foi logo dizendo: “não me mate, pois não sou um peixe qualquer; sou um príncipe encantado, condenado a viver neste lago; deixa-me viver”. E ela deixou-o viver.
Ao chegar em casa, contou o fato ao marido. Este, muito esperto, logo lhe sugeriu: se ele for de fato um príncipe encantado, pode nos ajudar e muito. Corra para lá e tente pedir a ele que transforme nossa choupana num castelo. A mulher, relutando, foi. Com voz forte chamou o peixe. Este veio e lhe disse: “que queres de mim”? Ela lhe respondeu: “você deve ser poderoso, poderia transformar minha choupana num castelo”. “Pois, será feito o teu desejo”, respondeu o peixe.
Ao chegar a casa, deparou com um imponente castelo, com torres e jardins e o marido vestido de príncipe. Passados poucos dias, disse o marido à mulher, apontando para os campos verdes e as montanhas. “Tudo isso pode ser nosso. Será o nosso reino; vá ao príncipe encantado e peça-lhe que nos dê um reino”. A mulher se aborreceu com o desejo exagerado do marido, mas acabou indo. Chamou o peixe encantado e este veio. “Que queres agora de mim”, perguntou ele. Ao que a pescadora respondeu: “gostaria de ter um reino com todas as terras e montanhas a perder de vista”. “Pois, seja feito o teu desejo” respondeu o peixe.
Ao regressar, encontrou um castelo ainda maior. E lá dentro seu marido vestido de rei com coroa na cabeça e cercado de príncipes e princesas. Ambos ficaram felizes por uns bons tempos. Então o marido sonhou mais alto e disse: “Você, minha mulher, poderia pedir ao príncipe encantado que me faça Papa com todo o seu esplendor”. A mulher ficou irritada. “Isso é absolutamente impossível. Papa existe somente um no mundo”. Mas ele fez tantas pressões que finalmente a mulher foi pedir ao príncipe: “quero que faça meu marido Papa”. “Pois, seja feito o teu desejo”, respondeu ele. Ao regressar viu o marido vestido de Papa cercado de cardeais, bispos e multidões ajoelhadas diante dele. Ela ficou deslumbrada. Mas passados uns dias, ele disse: “só me falta uma coisa e quero que o príncipe ma conceda, quero fazer nascer o sol e a lua, quero ser Deus”. “Isso o príncipe encantando, seguramente não poderá fazer”, disse a mulher pescadora. Mas sob altíssima pressão e aturdida foi ao lago. Chamou o peixe. E este lhe perguntou: “que queres, por fim, mais de mim”? Ela falou: “quero que meu marido vire Deus”. O peixe lhe disse: “Retorne e terás uma surpresa”. Ao regressar, encontrou seu marido sentado diante da choupana, pobre e todo desfigurado. Creio que ambos ainda estão lá até os dias de hoje.
Assim acontecerá, consoante as tragédias gregas, com aqueles que vivem de hybris, quer dizer, de excessiva pretensão. Eles serão inexoravelmente castigados. Não será esse talvez o destino de nossa civilização?

Fonte: 
Leonardo Boff.
  Cronópios.


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Porque o sapo não pula?



De acordo com o mito, se você colocar um sapo numa panela de água fervendo ele pula fora e salva a própria vida. Mas, se você colocar o sapo numa panela de água fria e for esquentando a água aos poucos, ele não percebe a mudança da temperatura e morre cozido.
Mas porque o sapo não pula quando a água começa a ficar quente? Será que ele não sente que a água esquentou? Vamos tomar a personalidade dele, enquanto água está esquentando, e verificar o que se passa na cabeça do sapo.o 28 Graus - Humm que água gostosa..
o 32 Graus - É... a água está boazinha...
o 36 Graus - Esta água está ficando sem graça, será que está esquentando? Bobagem! Por que a água iria esquentar? Deve ser impressão minha.
o 38 Graus - Estou ficando com calor... Que droga de água! Ela nunca foi quente, por que está esquentando?
o 39 Graus - Essa água é uma porcaria! Melhor nadar um pouco em círculos até a água esfriar de novo.
o 40 Graus - Esta água é muito quente , humm que ruim! Vou voltar lá para aquele lado que estava mais fresco ou será que é melhor esperar um pouco?
o 42 Graus - Realmente, esta água está péssima, quente de verdade, tenho que falar com o supervisor das águas. Claro, eu podia pular fora, mas onde será que vou cair? Melhor esperar só mais um pouquinho.
o 43 Graus - Meu Deus! Será que eu tenho que fazer tudo por aqui? Já reclamei e ninguém toma uma atitude?
o 44 Graus - Mas este supervisor de águas não faz nada? Será que ninguém nota que a água está super quente? Vou esperar mais um pouco...
o 45 Graus - Se ninguém fizer nada eu vou fazer um escândalo.... Aiiiii que calor!
o 46 Graus - Eu devia ter pulado fora quando eu tive oportunidade, agora é tarde. Estou sem forças.
o 48 Graus - "sapo morto"O pensamento do sapo ilustra o processo de mudança no ambiente e como as pessoas reagem. No mundo de hoje em que as mudanças bruscas de "temperatura" são tão corriqueiras, quem pensa como o sapo perde as oportunidades de mudar e crescer.
Se você tem, por exemplo, dificuldade de relacionamento, com pares, ou com colegas ou com a sua chefia,ou de lidar com novos desafios, que tal parar de reclamar e de tentar mudar o outro e saltar? Pule para uma atitude mais sadia de rever suas próprias atitudes e mudar você!

Vamos lá! Pense a que nível está a temperatura da sua água? Qual vai ser o primeiro passo que você vai dar? Uma pequena mudança de atitude, como por exemplo, chegar sorrindo todo dia no trabalho, ou dar um "Bom dia" caloroso a todos quando chegar, abre as portas para outras mudanças internas maiores. Mas, não faça como o sapo que ficou dando voltas dentro da mesma panela.
Seja honesto com você mesmo e mude para valer!


Texto de Eliana Dutra









Copiado  esse texto do blog :  http://pensoinsisto.blogspot.com/

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Dar de si mesmo.


" O livro edificante vacina a mente infantil  contra o mal"
 (André Luiz)


Leitura de contos, historinhas, fábulas e histórias.
Solange,  pelo incentivo e estímulo a prática
da boa leitura à sua filha, eu te homenageio e
te parabenizo.
Parabéns!!
Sua filha linda e inteligente só tem a ganhar!!
VITÓRIA para ela!
Rejane



Dar de si mesmo.
Laurinha, embora contasse apenas com oito anos de idade, tinha um coração generoso e muito desejoso de ajudar as pessoas.
Certo dia, na aula de Evangelização Infantil que freqüentava, ouvira a professora, explicando a mensagem de Jesus,  falar da importância de se fazer caridade, e Laurinha pôs-se a pensar no que ela, ainda tão pequena, poderia fazer de bom para alguém.
Pensou...pensou... e resolveu:
-         Já sei! Vou dar dinheiro a algum necessitado.
Satisfeita com sua decisão, procurou entre as coisas de sua mãe e achou uma linda moeda.
Vendo Laurinha com dinheiro na mão e encaminhando-se para a porta da rua, a mãe quis saber onde ela ia.
Contente por estar tentando fazer uma boa ação, a menina respondeu:
-         Vou dar esse dinheiro a um mendigo!
A mãezinha, contudo, considerou:
-         Minha filha, esta moeda é minha e você não pode dá-la  a ninguém porque não lhe pertence.
Sem graça, a garota devolveu a moeda à mãe e foi para a sala, pensando...
-         Bem, se não posso dar dinheiro, o que poderei dar?
Meditando, olhou distraída para a estante de livros e uma idéia surgiu:
-         Já sei! A professora sempre diz que o livro é um tesouro e que traz muitos benefícios para quem o lê.
Eufórica por ter decidido, apanhou na estante um livro que lhe pareceu interessante, e já ia saindo na sala quando o pai, que lia o jornal acomodado na poltrona preferida, a interrogou:
-         O que você vai fazer com esse livro, minha filha?
Laurinha estufou o peito e informou:
-         Vou dá-lo a alguém!
Com serenidade, o pai tomou o livro da filha, afirmando:
-         Este livro não é seu Laurinha. É meu, e você não pode dá-lo a ninguém.
Tremendamente desapontada, Laurinha resolveu dar uma volta. Estava triste, suas tentativas para fazer a caridade não tinham tido bom êxito e, caminhando pela rua, continha as lágrimas que teimavam em cair.
-         Não é justo! – resmungava. – Quero fazer o bem e meus pais não deixam.
Nisso, ela viu uma coleguinha da escola sentada num banco da pracinha. A menina parecia tão triste e desanimada que Laurinha esqueceu o problema que a afligia.
Aproximando-se, perguntou gentil:
-         O que você tem Raquel?
A outra, levantando a cabeça e vendo Laurinha a seu lado, desabafou:
-         Estou chateada, Laurinha, porque minhas notas estão péssimas. Não consigo aprender a fazer contas de dividir, não sei tabuada e tenho ido muito mal nas provas de matemática. Desse jeito, vou acabar perdendo o ano. Já não bastam as dificuldades que temos em casa, agora meus pais vão ficar preocupados comigo também.
Laurinha respirou,  aliviada:
-         Ah! Bom, se for por isso,  não precisa ficar triste. Quanto aos outros problemas, não sei. Mas, em relação à matemática, felizmente, não tenho dificuldades e posso ajudá-la. Vamos até sua casa e tentarei ensinar a você o que sei.
Mais animada, Raquel conduziu Laurinha até a sua casa, situada num bairro distante e pobre. Ficaram a tarde toda estudando.
Quando terminaram, satisfeita, Raquel não sabia como agradecer à amiga.
-         Laurinha, aprendi direitinho o que você ensinou. Não imagina como foi bom tê-la  encontrado naquela hora e o bem que você me fez hoje. Confesso que não tinha grande simpatia por você. Achava-a orgulhosa, metida, e vejo que não é nada disso. É muito legal e uma grande amiga. Valeu.
Sentindo grande sensação de bem-estar, Laurinha compreendeu a alegria de fazer o bem. Quando menos esperava, sem dar nada material, percebia que realmente ajudara alguém.
Despediram-se, prometendo-se mutuamente continuarem a estudar juntas.
Retornando para a casa, Laurinha contou à mãe o que fizera, comentando:
-         A casa de Raquel é muito pobre, mamãe, acho que estão necessitando de ajuda. Gostaria de poder fazer alguma coisa por ela. Posso dar-lhe algumas roupas que não me servem mais? – Perguntou, algo temerosa, lembrando-se das “broncas” que levara algumas horas antes.
A senhora abraçou a filha, satisfeita:
-         Estou muito orgulhosa de você, Laurinha, Agiu verdadeiramente como cristã, ensinando o que sabia. Quanto às roupas, são “suas” e poderá fazer com elas o que achar melhor.
Laurinha arregalou os olhos, sorrindo feliz e, afinal, compreendendo o sentido da caridade.
- É verdade mamãe. São minhas! Amanhã mesmo levarei para Raquel. E também alguns sapatos, um par de tênis e uns livros de histórias que já li.



Fonte: http://historiasinfantis.webs.com/

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A ORDEM INVERSA: A LIÇÃO DO FILHO AO PAI.



"Um dia, um pai de família rica, grande empresário, levou seu filho para
viajar até um lugarejo com o firme propósito de mostrar o quanto as pessoas podem ser pobres.

O objetivo era convencer o filho da necessidade de valorizar os bens materiais
que possuía, o status, o prestígio social; o pai queria desde cedo passar esses valores para seu herdeiro.

Eles ficaram um dia e uma noite numa pequena casa de taipa, de um morador da fazenda de seu primo...

Quando retornavam da viagem, o pai perguntou ao filho:

- E aí, filhão, como foi a viagem para você ?

- Muito boa, papai.

- Você viu a diferença entre viver com riqueza e viver na pobreza ?

- Sim pai! Retrucou o filho, pensativamente.

- E o que você aprendeu, com tudo o que viu naquele lugar tão paupérrimo ?

O menino respondeu:

- É pai, eu vi que nós temos só um cachorro em casa, e eles têm quatro.

Nós temos uma piscina que alcança o meio do jardim, eles têm um riacho que não tem fim.

Nós temos uma varanda coberta e iluminada com lâmpadas fluorescentes
e eles têm as estrelas e a lua no céu.

Nosso quintal vai até o portão de entrada e eles têm uma floresta inteirinha.

Nós temos alguns canários em uma gaiola eles têm todas as aves
que a natureza pode oferecer-lhes, soltas!

O filho suspirou e continuou:

- E além do mais papai, observei que eles oram antes de qualquer refeição,
enquanto que nós em casa, sentamos à mesa falando de negócios, dólar,
eventos sociais, daí comemos, empurramos o prato e pronto!

No quarto onde fui dormir com o Tonho, passei vergonha, pois não sabia sequer orar, enquanto que ele se ajoelhou e agradeceu a Deus por tudo, inclusive
a nossa visita na casa deles. Lá em casa, vamos para o quarto,
deitamos, assistimos televisão e dormimos.

Outra coisa, papai, dormi na rede do Tonho, enquanto que ele dormiu no chão,
pois não havia uma rede para cada um de nós.

Na nossa casa colocamos a Maristela, nossa empregada, para dormir naquele quarto onde guardamos entulhos, sem nenhum conforto, apesar de termos camas macias e cheirosas sobrando.

Conforme o garoto falava, seu pai ficava estupefado, sem graça e envergonhado.

O filho na sua sábia ingenuidade e no seu brilhante desabafo, levantou-se, abraçou o pai e ainda acrescentou:

- Obrigado papai, por me haver mostrado o quanto nós somos pobres

MORAL DA HISTÓRIA:

Não é o que você tem, onde está ou o que faz, que irá determinar a sua felicidade; mas o que você pensa sobre isto! Tudo o que você tem, depende da maneira como você olha, da maneira como você valoriza. Se você tem amor e sobrevive nesta vida com dignidade, tem atitudes positivas e partilha com benevolência suas coisas, então... Você tem tudo!"










sexta-feira, 22 de julho de 2011

O caminho do meio .





Durante seis anos, Siddhartha e os seus seguidores viveram em silêncio e nunca sairam da floresta.

Para beber, tinham a chuva, como comida, comiam um grão de arroz ou um caldo de musgo,ou as fezes de um pássaro que passasse. Estavam tentando dominar o sofrimento tornando as suas mentes tão fortes que se esquecessem dos seus corpos.

Então... um dia, Siddhartha escutou um velho músico, num barco que passava, falando para o seu aluno...
"Se apertares esta corda demais, ela arrebenta;
e se a deixares solta demais, ela não toca."




De repente, Siddhartha percebeu de que estas palavras simples continham uma grande verdade, e que durante todos estes anos ele tinha seguido o caminho errado.

Se apertares esta corda demais, ela arrebenta; e se a deixares solta demais, ela não toca.

Uma aldeã ofereceu a Siddhartha a sua taça de arroz.

E pela primeira vez em anos, ele provou uma alimentação apropriada.

Mas quando os ascetas viram o seu mestre banhar-se e comer como uma pessoa comum, sentiram-se traídos, como se Siddhartha tivesse desistido da grande procura pela iluminação.

(Siddhartha os chamou)

- Venham...
- e comam comigo.

Os ascetas responderam:
- Traíste os teus votos, Siddhartha. Desistiu da procura. Não podemos continuar a te seguir. Não podemos continuar a aprender contigo.
e foram se retirando, Siddharta disse:
- Aprender é mudar.

- O caminho para a iluminação está no Caminho do Meio.

- É a linha entre todos os extremos opostos.

O Caminho do Meio foi a grande verdade que Siddhartha descobriu, o caminho que ensinaria ao mundo.



 
Comentário e análise:
Muito se fala sobre isso, mas a compreensão exata do que representa, cada um encontra a seu próprio tempo, numa visão profundamente pessoal. Percebe-se de forma diferente, o que na essência permanecerá sempre inalterado...
É um caminho muito sutil, que só se apresenta aos olhos da alma... e somente depois que atingimos um determinado ponto no desenvolvimento dos dois caminhos iniciais que todo ser humano deve trilhar antes de encontrá-lo: o caminho da alma e o caminho do mundo...
Através da religião ou busca mística, despertamos a centelha divina que nos permite estabelecer uma ligação profunda e permanente com a sabedoria do Universo. Este será o caminho da expressão interna, da essência, do invisível... o caminho da alma...
Entretanto, a busca mística somente não basta. Afinal o próprio nome já indica: Caminho do MEIO.
É necessário também que se encontre seu lugar no mundo, geralmente bem visível para quem segue sua vocação, seu dom, seu talento, enfim, o nome que queiram usar... Este será o caminho de expressão externa, do visível, do físico... o caminho do mundo...
O ser humano é de natureza DUAL e jamais encontrará seu caminho do meio, se não desenvolver esses dois aspectos de sua natureza de forma conjunta e harmônica, ou seja, seus dons e talentos terão a função de expandir o lado objetivo e sua busca mística de expandir seu lado subjetivo.
Entretanto, um fato comum, é que se confunda um desses dois caminhos com o principal. Cria-se então um apego exagerado ao externo ou interno, gerando desequilíbrio. Quando isso ocorre, todo o processo evolutivo fica em suspenso até que ambos atinjam o mesmo nível de desenvolvimento. Por isso é que alguns caminham mais rápido que outros: uns percebem essa ligação e outros não...
Assim sendo, quando ambos atingem esse determinado ponto em sua escala evolutiva, percebe-se claramente quais são esses dois caminhos, quais foram suas lições e como se completam perfeitamente...
Somente a partir dessa nova consciência, surgirá então esse outro caminho... O nosso caminho do meio!
Aquele que nada mais será do que a união dos dois outros anteriores, devidamente lapidados e desenvolvidos!
Neste novo caminho poderemos então, cumprir nossa missão de forma plena e consciente. Estaremos preparados externa e internamente para manifestar tudo de divino que trazemos na alma e com certeza, seremos um instrumento através do qual o Universo se manifestará, trazendo evolução e luz a todos que estiverem à nossa volta!

Por :  Débora Casalechi
Fonte:
http://somostodosum.ig.com.br/













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