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Ler é viajar sem sair do lugar.

Ler é viajar sem sair do lugar.

FÁBULA é uma narração breve, de natureza simbólica, cujos personagens por via de regra são animais que pensam, agem e sentem como os seres humanos. Esta narrativa tem por objetivo transmitir uma lição de moral.

PARÁBOLAS.

PARÁBOLAS , falam de algo que o povo já conhece, para levá-lo a descobrir aquilo que ele nem imagina. Assim podem falar de realidades misteriosas como o Reino de Deus, por exemplo, como as parábolas de Jesus nos envolvem naquilo que está sendo apresentado e provocam uma iluminação por meio de uma comparação que nos faz perceber como a realidade funciona...

METÁFORA.


METÁFORA é uma figura de estilo (ou tropo linguístico), que consiste numa comparação entre dois elementos por meio de seus significados imagísticos, causando o efeito de atribuição "inesperada" ou improvável de significados de um termo a outro. Didaticamente, pode-se considerá-la como uma comparação que não usa conectivo (por exemplo, "como"), mas que apresenta de forma literal uma equivalência que é apenas figurada.

MITO é uma narrativa de caráter simbólico, relacionada a uma dada cultura. O mito procura explicar a realidade, os principais acontecimentos da vida, os fenômenos naturais, as origens do Mundo e do Homem por meio de deuses, semi-deuses e heróis. O mito só fala daquilo que realmente aconteceu do que se manifestou, sendo as suas personagens principais seres sobrenaturais, conhecidos devido aquilo que fizeram no tempo dos primordios. Os mitos revelam a sua actividade criadora e mostram a “sobrenaturalidade” ou a sacralidade das suas obras. Em suma os mitos revelam e descrevem as diversas e frequentemente dramáticas eclosões do sagrado ou sobrenatural nomundo. É está “intormição” ou eclosão do sagrado(sobrenatural), que funda, que dá origem ao mundo tal como ele é hoje. Sendo também graças à intervenção de seres sobrenaturais que o homem é o que é hoje.

Desperte para o Mundo Encantado da Leitura.


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domingo, 24 de janeiro de 2010

O passarinho engaiolado


 



Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho.
De sua vida o mínimo que se poderia dizer era que era segura e tranqüila,
como seguras e tranqüilas
são as vidas das pessoas bem casadas e dos funcionários públicos.

Era monótona, é verdade.
Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança.
Não há muito o que fazer dentro dos limites de uma gaiola,
seja ela feita com arames de ferro ou de deveres.
Os sonhos aparecem, mas logo morrem,
por não haver espaço para baterem suas asas.
Só fica um grande buraco na alma, que cada um enche como pode.
Assim, restava ao passarinho ficar pulando
de um poleiro para outro, comer, beber,
dormir e cantar.
O seu canto era o aluguel que pagava ao seu dono
pelo gozo da segurança da gaiola.

Bem se lembrava do dia em que, enganado pelo alpiste,
entrou no alçapão.
Alçapões são assim;
têm sempre uma coisa apetitosa dentro.
Do alçapão para a gaiola o caminho foi curto,
através da Ponte dos Suspiros.

Há aquele famoso poema do Guerra Junqueiro, sobre o melro, o pássaro
das risadas de cristal.
O velho cura, rancoroso, encontrara seu ninho e
prendera os seus filhotes na gaiola.
A mãe, desesperada com o destino
dos filhos, e incapaz de abrir a portinha de ferro, lhes traz no bico um
galho de veneno.
Meus filhos, a existência é boa só quando é livre.
A liberdade é a lei.
Prende-se a asa, mas a alma voa...
Ó filhos, voemos pelo azul!...
Comei!

É certo que a mãe do passarinho nunca lera o poeta,
pois o que ela disse ao seu filho foi:
Finalmente minhas orações foram respondidas.
Você esta seguro, pelo resto de sua vida.
Nada há a temer.
Não é preciso se preocupar.
Acostuma-se.
Cante bonito.
Agora posso morrer em paz!

Do seu pequeno espaço ele olhava os outros passarinhos.
Os bem-te-vis, atrás dos bichinhos;
os sanhaços, entrando mamões adentro;
os beija-flores, com seu mágico bater de asas;
os urubus, nos seus vôos tranqüilos da fundura do céu;
as rolinhas, arrulhando, fazendo amor;
as pombas, voando como flechas.
Ah! Os prudentes conselhos maternos não o tranqüilizavam.
Ele queria ser como os outros pássaros, livres...
Ah! Se aquela maldita porta se abrisse.

Pois não é que, para surpresa sua,
um dia o seu dono a esqueceu aberta?
Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos.
Estava livre, livre, livre!

Saiu.
Voou para o galho mais próximo.
Olhou para baixo.
Puxa! Como era alto.
Sentiu um pouco de tontura.
Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho.
Teve medo de cair.
Agachou-se no galho, para ter mais firmeza.
Viu uma outra árvore mais distante.
Teve vontade de ir até lá.
Perguntou-se se suas asas agüentariam.
Elas não estavam acostumadas.

O melhor seria não abusar, logo no primeiro dia.
Agarrou-se mais firmemente ainda.
Neste momento um insetinho passou voando bem na frente do seu bico.
Chegara a hora.
Esticou o pescoço o mais que pôde, mas o insetinho não era bobo.
Sumiu mostrando a língua.

-- Ei, você! - era uma passarinha.
- Vamos voar juntos até o quintal do vizinho.
Há uma linda pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas.
Deliciosas.
Apenas é preciso prestar atenção no gato, que anda por lá...
Só o nome gato lhe deu um arrepio.
Disse para a passarinha que não gostava de pimentas.
A passarinha procurou outro companheiro.
Ele preferiu ficar com fome.
Chegou o fim da tarde e, com ele a tristeza do crepúsculo.
A noite se aproximava.
Onde iria dormir?
Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava dependurada.
Teve saudades dele.
Teria de dormir num galho de árvore, sem proteção.
Gatos sobem em árvores?
Eles enxergam no escuro?
E era preciso não esquecer os gambás.
E tinha de pensar nos meninos com seus estilingues, no dia seguinte.

Tremeu de medo.
Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada.
Somente podem gozar a liberdade aqueles que têm coragem.
Ele não tinha.
Teve saudades da gaiola.
Voltou.
Felizmente a porta ainda estava aberta.

Neste momento chegou o dono.
Vendo a porta aberta disse:

-- Passarinho bobo.
Não viu que a porta estava aberta.
Deve estar meio cego.
Pois passarinho de verdade não fica em gaiola.
Gosta mesmo é de voar...



Rubem Alves

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